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Podemos tentar estabelecer uma analogia entre o trabalho desenvolvido por um designer com este modelo social com o trabalho de um assistente social. Assim, numa primeira fase o designer inteira-se do problema do “cliente”. Na próxima fase, avaliação, examina-se a interacção do cliente com o que o rodeia, o ambiente para se perceber a raíz do problema. O resultado desta fase é uma lista de necessidades a serem atendidas. Na terceira fase, projecto/planeamento, o designer “trabalha” com o “cliente” para determinar o que é mais urgente, determinar prioridades.

“Conversam” sobre várias ideias e decidem colaborativamente o que funciona e não funciona e quem faz o quê e quando. Na fase de implementação do projecto vai corresponder aos objectivo definidos anteriormente.

Uma ampla agenda para o design deve então começar, considerando uma série de questões importantes. Que papel pode desempenhar um designer num processo colaborativo de intervenção social? O que é que está a ser feito nesse sentido e o que poderá vir a ser feito? Como é que a percepção pública da actividade do designer pode mudar no sentido de apresentar uma imagem de um designer socialmente responsável? Uma abordagem multidisciplinar pode ser usada para explorar estes e outros problemas. Questionários de pesquisa, entrevistas com profissionais, análise de conteúdo em revistas, jornais, internet, com blogs, sites,etc. Outro método de pesquisa é a observação participativa. E dizer que a combinação de todos estes métodos de pesquisa é que dará mais frutos no futuro é a mais correcta de se conseguir avançar nesta perspectiva. A amplitude do espectro de pesquisa para o design social inclui a percepção do público, das agências sobre os designers, a economia de intervenções sociais, o valor do design na busca para melhorar a vida das pessoas, a economia de produção de produtos e serviços socialmente responsáveis e a maneira como o público os recebe.

Um modelo social na prática do design é agora mais necessário do que nunca, e espera-se dos designers preocupados, pesquisadores, profissionais e educadores do design que consigam encontrar maneira de tornar este modelo possível, e mudar assim a percepção do público em relação à profissão do design.
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William McDonough sobre Cradle to Cradle Design, uma perspectiva interessante sobre o design como modelo social

_link Design Social por Pedro Carvalho

Quando se pensa em design de produto, pensamos em produtos para o mercado produzidos por um fabricante e dirigidos a um consumidor. Assim, desde a Revolução Industrial que a prática usual do design é a de desenhar para o mercado. Em 1972, Victor Papanek, designer industrial, publicou o seu livro “Design for the Real World”[1] no qual nos apresenta com a declaração “existem profissões mais prejudiciais que desenho industrial mas bem poucas”. Desde a publicação do livro que vários designers têm procurado desenvolver programas de design para necessidades sociais estendendo-se desde as necessidades de países em desenvolvimento até necessidades especiais de idosos, pobres e portadores de deficiências.

Estes esforços evidenciam que é possível uma alternativa para o design de produtos. Comparando este com o modelo de mercado tem-se pouco conhecimento ou teoria  sobre um modelo de design para de prática social. Enquanto que a teoria sobre o design para o mercado é bastante desenvolvida, com os estudos de marketing, método do design, e uma vasta e rica literatura sobre o assunto que permite que se adapte às novas tecnologia, novos media e panoramas políticos e sociais.

Isto não acontece no que diz respeito ao design social. Algumas das estratégias nesta área têm sido emprestadas do movimento tecnológico intermediário, que promovem soluções tecnológicas de baixo custo para os países em desenvolvimento mas pouco tem sido feito numa perspectiva mais global e um entendimento mais amplo do design social, que lhe permita ser mantido e implementado.

Também não tem havido preocupação com a educação dos novos designers que lhes forneceria as ferramentas para uma mudança de paradigma do design.

O objectivo primário do design para o mercado é criar produtos para venda. O objectivo primordial do design social é a satisfação das necessidades humanas. Mas para se alcançar um design “óptimo” não podemos ver estas duas perspectivas como opostas mas antes dois pólos duma constante.

Há vários domínios que tem de trabalhar em sintonia para que se possa desenvolver este “modelo social”. Estes domínios são aqueles que têm um impacto sobre a actividade ou funcionamento humano, como o biológico, psicológico, cultural, social, natural e físico/espacial.

Podemos tentar estabelecer uma analogia entre o trabalho desenvolvido por um designer com este modelo social com o trabalho de um assistente social. Assim, numa primeira fase o designer inteira-se do problema do “cliente”. Na próxima fase, avaliação, examina-se a interacção do cliente com o que o rodeia, o ambiente para se perceber a raíz do problema. O resultado desta fase é uma lista de necessidades a serem atendidas. Na terceira fase, projecto/planeamento, o designer “trabalha” com o “cliente” para determinar o que é mais urgente, determinar prioridades.

“Conversam” sobre várias ideias e decidem colaborativamente o que funciona e não funciona e quem faz o quê e quando. Na fase de implementação do projecto vai corresponder aos objectivo definidos anteriormente.

Uma ampla agenda para o design deve então começar, considerando uma série de questões importantes. Que papel pode desempenhar um designer num processo colaborativo de intervenção social? O que é que está a ser feito nesse sentido e o que poderá vir a ser feito? Como é que a percepção pública da actividade do designer pode mudar no sentido de apresentar uma imagem de um designer socialmente responsável? Uma abordagem multidisciplinar pode ser usada para explorar estes e outros problemas. Questionários de pesquisa, entrevistas com profissionais, análise de conteúdo em revistas, jornais, internet, com blogs, sites,etc. Outro método de pesquisa é a observação participativa. E dizer que a combinação de todos estes métodos de pesquisa é que dará mais frutos no futuro é a mais correcta de se conseguir avançar nesta perspectiva. A amplitude do espectro de pesquisa para o design social inclui a percepção do público, das agências sobre os designers, a economia de intervenções sociais, o valor do design na busca para melhorar a vida das pessoas, a economia de produção de produtos e serviços socialmente responsáveis e a maneira como o público os recebe.

Um modelo social na prática do design é agora mais necessário do que nunca, e espera-se dos designers preocupados, pesquisadores, profissionais e educadores do design que consigam encontrar maneira de tornar este modelo possível, e mudar assim a percepção do público em relação à profissão do design


[1] PAPANEK, Victor. Design for the real world: Human Ecology and Social Change, THAMES & HUDSON LTD, 1985

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