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Arquivo de etiquetas: media

Os principais conceitos do projecto AHA são o Activismo: activismo político, Hacking: activismo tecnológico, Artivismo: activismo artístico.

O Activismo Artístico compreende qualquer forma livre e aberta de criatividade, que promova a ideia do uso crítico dos media, para estimular uma experimentação conscenciosa na forma de expressão ou linguagem expressiva  sem qualquer tipo de censura.

Desde 2001, o projecto AHA segue um caminho colectivo, como resultado dum movimento italiano que desde o princípio dos anos 80 que luta por um uso independente e gerido individualmente dos mass-media (vídeo, computador, radio e texto escrito). Hoje, mais do que nunca, este movimento está a demonstrar ser uma das mais válidas alternatives para informação oficial em Itália.

Em Itália, o activismo tecnológico, artístico e político estão interligados muito de perto numa rede comum espalhada por todo o país consistindo de colectivos, activistas e artistas. O seu denominador comum é o querer dar vida a um modo alternativo e independente de produzir informação, consciência cultural e comunicação.

As principais actividades do projecto são a organização de exposições/eventos sobre a net-arte italiana e “hacktivismo”, a difusão de projecto do colectivo de artista italianos dentro do âmbito dos festivais de arte e media ou convenções e o desenvolvimento de uma mailing list internacional sobre o activismo artístico e artivismo, aha@lists.ecn.org. Este é um espaço colectivo virtual que advoga o uso livre de arte e software. Na mailing list do AHA estão cerca de 600 subscritores. A lista AHA faz parte da mailing list neighbourhood of nettime.

O Activism-Hacking-Artivism é também um projecto de experimentação artística que usa a tecnologia nas suas mais vitais manifestações, necessáriamente incluindo o uso crítico e gerido invididualmente dos mass-media. Não objectos artístico per se mas processos de rede (network), não originalidade mas reprodutibilidade, não representação de uma singularidade mas uma acção colectiva. Desde 2002 até agora, o projecto AHA já apresentou muitas exposições em diferentes cidades italianas e, desde 2004, também na Alemanha e Dinamarca.

_Um vídeo sobre o projecto, apresentado por Tatiana Bazzichelli

_Sobre este projecto e sobre este assunto bem como assuntos relacionados, o livro de Tatiana Bazzichelli, Networking, The Net as Artwork.

_links Alguns dos projectos desenvolvidos pelo colectivo estão nas páginas de eventos e de exposições.

Alguns dos projectos mais recentes:

Orgasmatic – “Orgasmatic Implosion is a video realized during the Peenemuende [xxxxx] workshop and shown at Transmediale 2008. An intense, conspiratorial two day long working group/workshop at a key historical location.”

Openness & Do-It-Yourself in the Social Networks“Since the 80s, the platforms of networking have been an important tool to share knowledge and experience to create works of net art. The concepts of “Openness” and “Do-It-Yourself”, today more and more relevant with the diffusion of Social Networks, have been the starting point for the development of punk culture and hacker ethic.
Tatiana Bazzichelli reflects on these topics with a video contribution”

Hello World! é uma instalação audio-visual de grande escala que é composta por milhares de vídeos tipo diário recolhidos da internet. O projecto é uma meditação sobre os media particpativos e do desejo humano básico de se ser ouvido.

Por um lado, as tecnologias dos novos media como o YouTube permitiram o nascimento de novos “faladores” a um ritmo alarmante. Por outro lado, nenhuma tecnologia foi desenvolvida que nos permitisse ouvir todos estes novos “faladores”. Cada vídeo consiste de um indivíduo sozinho a falar cândidamente para uma (potencialmente massiva) audiência imaginária, a partir de um espaço privado tal como o quarto, a cozinha, ou dormitório. A composição de som multi-canal desliza entre indivíduos e o grupo, permitindo a quem vê a instalação, ouvir numa única coluna ou então deixar-se ficar imerso na cacofonia. Os visitantes são encorajado a deambular no espaço.

_link site oficial do projecto Hello World! que é do mesmo autor que o projecto Murmur Study Christopher Baker

Pa++ern é uma instalação sobre novas interacções nos media sociais utilizando dados gerados em código pelos utilizadores do Twitter. Converte esses dados numa produto têxtil final usando uma maquinaria para bordar/tecer. Os interesses mútuos dos artistas Daito Manabe e Motoi Ishibashi em codificação esotérica levou-os a desenvolver uma relativamente simples e curta corrente de código com menos de 140 caractéres (um post total do Twitter) a que chamaram “Pa++ern“.

pattern_1

_link Daito Manabe, Artist, Designer, Programmer, DJ, VJ, Composer

1. two-way communication
2. ease of access to and dissemination of information
3. continuous learning
4. alignment and integration, and
5. community.

Estas cinco mensagens da internet são também características partilhadas por todos os “novos media”. No formular destas mensagens, neste estudo dos “novos media” vieram a revelar-se outras sete propriedades ou mensagens adicionais. Estas são:

6. portability and time flexibility (time shifting), which provide their users
with freedom over space and time;

7. convergence of many different media so that they can carry out more than
one function at a time and combine as is the case with the camera cell phone
that operates as phone but can also take photos and transmit them;

8. interoperability;

9. aggregation of content;

10. variety and choice to a much greater extent than the mass media that
preceded them;

11. the closing of the gap between (or the convergence of) producers and
consumers of media;

12. social collectivity and cooperation;
13. remix culture; and
14. the transition from products to services.

_link http://www.physics.utoronto.ca/~logan/UNMedCh5N.pdf

_palavras-chave- new media, internet, comunidade, remix culture,information

_notas

Neste texto, estas 14 mensagens são comparadas com outras propostas de outros autores  McLuhan, Manovich, Cloniger, de modo a encontrar estas mesmas mensagens.

Remix Culture-  para melhor se perceber este termo é interessante ver esta entrevista com o autor do conceito Lawrence Lessig bem como esta palestra  “Laws that choke creativity”.

_Abstract

A maior parte da pesquisa feita nas culturas media opera num enquadramento “nacional-territorial”. As culturas media são consideradas como culturas nacionais e as outras formas de cultura media ( por exemplo a cultura do jornalismo profissional, diásporas, cultura das celebridades,etc.) não são investigadas no seu carácter “deterritorial”. Mas são exactamente essas formas “deterritoriais” da cultura dos media que estão a ganhar relevância na constante globalização dos media: têm então de ser colocadas no centro dos media comparativos e da pesquisa na comunicação. Começando com esta consideração, este artigo desenvolve uma perspectiva transcultural na pesquisa das culturas media. Dentro desta perspectiva torna-se possível conduzir comparativamente a pesquisa nas culturas media nacionais (territoriais) como noutras formas presentes das culturas media (deterritoriais), sendo que esta perspectiva faz mover os processos  de construção e articulação culturais como foco da sua análise. Para se chegar a um melhor entendimento desta perspectiva, as “culturas media” são definidas como um fenómeno translocal nas suas próprias relações territoriais e deterritoriais. Baseado nisto, a “semântica” duma perspectiva de pesquisa transcultural é delineada, o que torna possível formular princípios práticos para alcançar uma pesquisa comparativa qualitativa dentro deste modo de a pensar.

_link Transculturality as a Perspective: Researching Media Cultures Comparatively

___________________________________________________________

 

Neste artigo, Andreas Hepp (presentemente professor na Universidade de Bremen, Alemanha) propõe  esta perspectiva de pesquisa e estudo comparativo das culturas media. Explica-nos por etapas como se desenrola este processo:

“_First, data has to be structured in cases of social entities, as for example, individuals (combining different person-related data sources like interviews, media diaries etc.), organizations (combining different organizational related data sources like interviews with different person, group discussion transcripts, observation protocols etc.) or similar entities.

_Second, the process of comparing these different cases transculturally follows by categorizing different cultural patterns. The important point here is to be open to different cultural mappings; having a careful view on the question whether a certain pattern is, for example, national-specific, transculturally stable or characteristic of a deterritorial community, like for example a diaspora, a political or religious movement.

_Third, the results of this comparison are structured along the variety of the differently occurring cultural thickenings, for instance, either on a territorial level (region, nation) or on a deterritorial level (different kinds of deterritorialized translocal communities)—or at the level of patterns that are stable across them.”

e não só pela análise per se, mas também com princípios básicos que permitem uma crítica multi-perspectivada:

_1º princípio“focusing on the construction processes of cultural articulation

(…)”the media” themselves are constructed by certain cultural patterns as part of the “center.” In additional, further patterns of “centering” media cultures exist: for example, of centering the “national-territorial” in national media cultures, the “deterritorial-religious” in transnational religious movements, the “global popular” in popular cultural communities and so on. The outlined non-essentialistic approach of analyzing media cultures makes it possible to focus such implicit processes of “centering” as it does not set certain main variables at the beginning.”

_2º princípio“focusing on the relation of cultural patterns and questions of power

Emphasizing “centering” aspects within construction processes of cultural articulation already provides a link to questions of power, as the building of a “cultural center” is always a power force. But also beyond these “centering” aspects patterns within media cultures can be related to power: certain cultural patterns open chances of hegemony or domination, others not. Consequently, the second principle means to reflect how far analyzed cultural patterns are related to power relations within media cultures, but also how far they open or close certain spaces of agency in everyday life.”

_3º princípio – ” the integration of all this in a multi-perspectival description.

Thus, when comparing transculturally different perspectives on thickenings of media cultures, one can analyze their processes of cultural articulation and power relations. Because of that, the aim of a multi-perspectival critique cannot be mono-semizing this complexity. Moreover an analytical description should make the different cultures in their power-related inconsistency accessible, especially when comparing them with each other.”

 

Esta proposta de análise das culturas media é importante e reveladora de várias questões, a meu ver muitas vezes esquecidas, como a dimensão cultural e religiosa bem como da definição de territórios específicos dentro desses próprios territórios. É um pouco confuso relacionar estes territórios e estas culturas mas esta perspectiva metódica traz uma mais valia na pesquisa que se segue dentro desta análise dos novos media.

 

_Notas

_Para uma perspectiva global dos diferentes projectos desenvolvidos pela  German Research Foundation (DFG) e a União Europeia (UE) ver http://www.imki.uni-bremen.de/

 

_Palavras-chave

media culture; intercultural communication; international communication; transcultural communication; comparison; media globalization; qualitative media research; critique; cultural studies; cultural analysis

 

 

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