O relato sobre o festival UM:

_Dia 12

18.00-19.30: Conversas 1: Partindo do ponto de vista: a construção da paisagem e as inter-relações entre som, imagem, arquitectura e espaço: Emanuel Pimenta/PT/CH e Carsten Stabenow/NL: FBAUL, Largo da Academia Nacional de Belas-Artes

Infelizmente o Emanuel Pimenta  não pôde estar presente mas foi “substituído” pelo sound designer Geert-Jan Hobijn.

Falou-se muito sobre espaços arquitectónicos e como se podem fazer instalações mudando apenas pequenos pormenores, ou grandes, isto tudo de acordo com as propriedades acústicas do espaço. Ver os sítios como verdadeiros instrumentos em vez de espaços que têm som.

Também se falou sobre “instrumentos” como um aspirador ou um frigorifico, que retirados fora do contexto deste tipo de música experimental não têm sentido, mas que vendo as performances, e o que se pode fazer com estes barulhos, se pode mudar a maneira de ver, e também sentir esta música.

Por último falou-se sobre vários tipos de tecnologias que estão a ser desenvolvidas e que interferem ainda mais com os sentidos como deixar-nos tontos interferindo com o o nosso ouvido interno, e sons que são sentidos por vibrações que passam pelos nossos ossos são exemplos destas tecnologias que nos irão permitir ainda uma maior imersão na música.

_Para mais informação sobre os Staalplat Soundsystem

Para mais vídeos, fotos e música dos Staalplat Soundsystem

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_Dia 13

18.00-19.30: Conversas 2: Estados e Sensibilidades Elevados: Aumentar a nossa Consciência e Conhecimento Sensorial: Terike Haapoja/FI e Evelina Domnitch e Dmitry Gelfand/NL, FBAUL, Largo da Academia Nacional de Belas-Artes

Esta conversa teve uma perspectiva bastante científica, e em como ver a arte como ciência e vice-versa. Vários trabalhos que nos mostraram são sobre propriades e fenómenos físicos como a refração de um raio lazer numa bolha de ar, ou a levitação por vibrações sonoras que podem no entanto ser vistos como instalações, e experimentações media, e arte pura e simplesmente.

Tentar retirar o rótulo de ciência sobre estas experiências, que sendo no entanto complicadas do ponto de vista científico, podem ser apreciadas pela sua beleza.

_Alguns vídeos sobre estes trabalhos mostrados na conversa

Para mais informações sobre o trabalho desenvolvido por estes autores – Portable Palace e Terike Haapoja

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Ainda outros links de interesse sobre outros acontecimentos do festival

Unsworn Industries

STEIM

Cãoceito

Sabiam que a capa da edição de Junho do jornal New Yorker foi feito num iPhone? Com uma aplicação de iPhone de 4,99$. É verdadeiramente uma intersecção de arte, velocidade, tecnologia e portabilidade.

Numa perspectiva de imaginar as possibilidades, que uma aplicação destas num gadget nos possibilita, isto dentro duma perspectiva de imediatez,  no ponto de vista de actuar para espalhar uma mensagem, um activismo, as possibilidades são infinitas. Permite-nos estar em qualquer lugar intervir num espaço, modificá-lo em termos de imagens, e postar em todas as redes sociais como o Twitter, o Facebook, etc. numa questão de segundos.

Uma demonstração do programa em acção, em velocidade x3, demorou na realidade cerca de 17 minutos

A Behance Network é uma montra especial para grandes designers de todo o mundo. É também um local para encontrar artistas que querem marcar pela diferença através do seu trabalho. Um destes designers é Rishi Sodha de Londres, Reino Unido, que é apaixonado pelo papel do design no avançar da causa dos direitos humanos e desenvolveu/estabeleceu uma organização sem fins lucrativos: Design Against Human Rights Abuse (DAHRA). Ver o seu Portfolio na Behance Network para ver mais do seu trabalho.

Um vídeo feito para a Human Rights Action Center por este mesmo autor. Esta organização trabalha em diversas iniciativas pelos direitos humanos em todo o mundo, incluindo campanhas para os govenos imprimirem a Declaração dos Direitos Humanos em passaportes. Têm uma atenção particular na região de Burma (Myanmar).

O vídeo foi criado por Seth Brau de Brooklyn, New York, este que entre outras coisas, cria calçado pintado à mão para a VANS. Outras versões do vídeo podem ser vistas em Espanhol e Islandês no canal de Vimeo do autor. Produzido por Amy Poncher com música de Rumspringa.

Ainda na pesquisa sobre open-source learning e as questões sobre o hacktivismo e a cultura digital:

WikiLeaks é uma plataforma de comunidade que publica documentos anónimos e leaks relacionados com actos governamentais e corporativos, ou religiosos, preservando assim o anonimato e indetectibilidade dos seus contribuidores. Dizem ter nos seus servidores 1.2 milhões de documentos enviados por comunidades dissidentes e fontes anónimas. É uma incrível ferramenta de pesquisa, uma impagável base de dados para a liberdade de informação e especialmente o jornalismo de investigação, e devia ser tomada em linha de conta pelos bloggers (especialmente) que têm um estatuto diferente do dos jornalistas. Eles evitam a armadilha dos posts livres, para agora poderem rever e editar tudo, tendo responsabilidade sobre aquilo que publicam. A missão da WikiLeaks é somente permitir avaliação pública dos documentos e já se conseguiram provar arrojados o suficiente para rejeitar as pressões de censura de gigantes como o governo Chinês ou os seguidores do culto religioso da Cientologia. E essa é uma atitude notável.

http://thetruthorthefight.files.wordpress.com/2009/03/13.jpg

Nas minhas deambulações por estes assuntos dos novos media, e mais recentemente pela busca duma relação entre o hacktivismo, a arte, a sua relação com os novos media, o poder que temos e que podemos ter como designers, como activistas encontrei um conceito interessante que é o do conhecimento ou aprendizagem open-source.

Pode-se dizer que hoje em dia já se consegue tudo na net, todo o conhecimento, toda a informação, mas embora isto possa ser em parte verdade o que acontece é que não existe um filtro de qualidade para o conhecimento. Não há um selo de qualidade que nos diga que esta ou aquela informação é fidedigna em muitos dos casos. Podem ser, é certo reflexões de pessoas que têm tanto direito de escrever o que lhes apeteça como outras pessoa qualquer, mas quando digo um selo de qualidade penso na falta acuidade que existe por exemplo na Wikipedia.

Seria necessário um sistema de rede social para o conhecimento (académico) que permitisse que ele fosse algo moldável por indivíduos que detenham alguma propriedade sobre os assuntos em questão. Mas a ideia básica seria de disponibilizar todo o conhecimento que existe em livros hoje em dia, na rede. Obviamente isto tem implicações legais que não o permitiriam mas com o Creative Commons esta ideia já seria exequível.

O website Connexions está a desenvolver este sistema que irá revolucionar a maneira como as pessoas aprendem e ensinam.

Aqui está uma conferência em Fevereiro de 2006 com o fundador do site Connexions, Richard Baraniuk, onde explica o conceito e as suas capacidades.

Os principais conceitos do projecto AHA são o Activismo: activismo político, Hacking: activismo tecnológico, Artivismo: activismo artístico.

O Activismo Artístico compreende qualquer forma livre e aberta de criatividade, que promova a ideia do uso crítico dos media, para estimular uma experimentação conscenciosa na forma de expressão ou linguagem expressiva  sem qualquer tipo de censura.

Desde 2001, o projecto AHA segue um caminho colectivo, como resultado dum movimento italiano que desde o princípio dos anos 80 que luta por um uso independente e gerido individualmente dos mass-media (vídeo, computador, radio e texto escrito). Hoje, mais do que nunca, este movimento está a demonstrar ser uma das mais válidas alternatives para informação oficial em Itália.

Em Itália, o activismo tecnológico, artístico e político estão interligados muito de perto numa rede comum espalhada por todo o país consistindo de colectivos, activistas e artistas. O seu denominador comum é o querer dar vida a um modo alternativo e independente de produzir informação, consciência cultural e comunicação.

As principais actividades do projecto são a organização de exposições/eventos sobre a net-arte italiana e “hacktivismo”, a difusão de projecto do colectivo de artista italianos dentro do âmbito dos festivais de arte e media ou convenções e o desenvolvimento de uma mailing list internacional sobre o activismo artístico e artivismo, aha@lists.ecn.org. Este é um espaço colectivo virtual que advoga o uso livre de arte e software. Na mailing list do AHA estão cerca de 600 subscritores. A lista AHA faz parte da mailing list neighbourhood of nettime.

O Activism-Hacking-Artivism é também um projecto de experimentação artística que usa a tecnologia nas suas mais vitais manifestações, necessáriamente incluindo o uso crítico e gerido invididualmente dos mass-media. Não objectos artístico per se mas processos de rede (network), não originalidade mas reprodutibilidade, não representação de uma singularidade mas uma acção colectiva. Desde 2002 até agora, o projecto AHA já apresentou muitas exposições em diferentes cidades italianas e, desde 2004, também na Alemanha e Dinamarca.

_Um vídeo sobre o projecto, apresentado por Tatiana Bazzichelli

_Sobre este projecto e sobre este assunto bem como assuntos relacionados, o livro de Tatiana Bazzichelli, Networking, The Net as Artwork.

_links Alguns dos projectos desenvolvidos pelo colectivo estão nas páginas de eventos e de exposições.

Alguns dos projectos mais recentes:

Orgasmatic – “Orgasmatic Implosion is a video realized during the Peenemuende [xxxxx] workshop and shown at Transmediale 2008. An intense, conspiratorial two day long working group/workshop at a key historical location.”

Openness & Do-It-Yourself in the Social Networks“Since the 80s, the platforms of networking have been an important tool to share knowledge and experience to create works of net art. The concepts of “Openness” and “Do-It-Yourself”, today more and more relevant with the diffusion of Social Networks, have been the starting point for the development of punk culture and hacker ethic.
Tatiana Bazzichelli reflects on these topics with a video contribution”

Hello World! é uma instalação audio-visual de grande escala que é composta por milhares de vídeos tipo diário recolhidos da internet. O projecto é uma meditação sobre os media particpativos e do desejo humano básico de se ser ouvido.

Por um lado, as tecnologias dos novos media como o YouTube permitiram o nascimento de novos “faladores” a um ritmo alarmante. Por outro lado, nenhuma tecnologia foi desenvolvida que nos permitisse ouvir todos estes novos “faladores”. Cada vídeo consiste de um indivíduo sozinho a falar cândidamente para uma (potencialmente massiva) audiência imaginária, a partir de um espaço privado tal como o quarto, a cozinha, ou dormitório. A composição de som multi-canal desliza entre indivíduos e o grupo, permitindo a quem vê a instalação, ouvir numa única coluna ou então deixar-se ficar imerso na cacofonia. Os visitantes são encorajado a deambular no espaço.

_link site oficial do projecto Hello World! que é do mesmo autor que o projecto Murmur Study Christopher Baker

O Murmur Study é uma instalação que examina o crescer das tecnologias de micro-mensagem como o Twitter e Facebook com os seus status updates constantes. Podem-se descrever estas mensagens como uma espécie de “small talk” digital. Mas contrariamente a estas conversas de café, estes pensamentos são acumulados, arquivados e digitalmente indexados por corporações. Enquanto que o futuro destes arquivos se mantenha à vista de todos, o volume estonteante de informação pessoal – muitas vezes emocional – acessível devia dar-nos uma pausa.

Esta intalação consiste de 30 impressoras térmicas que constantemente monitorizam o Twitter por novas mensagens que contenham variações em comuns sons emocionais. Mensagens contendo milhares de variações sobre palavras como argh, meh, grrr, oooo, ewww, e hmph, são então impressas numa cascata infinita de texto que se acumula em pilhas no chão.

O papel gasto nas impressoras é depois reutilizado em projectos futuros e exposições ou então reciclado.

O Murmur Study é uma colaboração entre Márton Juhász nilseuropa.com e a Kitchen Budapest kibu.hu.

_link site oficial do projecto Murmur Study

Podemos tentar estabelecer uma analogia entre o trabalho desenvolvido por um designer com este modelo social com o trabalho de um assistente social. Assim, numa primeira fase o designer inteira-se do problema do “cliente”. Na próxima fase, avaliação, examina-se a interacção do cliente com o que o rodeia, o ambiente para se perceber a raíz do problema. O resultado desta fase é uma lista de necessidades a serem atendidas. Na terceira fase, projecto/planeamento, o designer “trabalha” com o “cliente” para determinar o que é mais urgente, determinar prioridades.

“Conversam” sobre várias ideias e decidem colaborativamente o que funciona e não funciona e quem faz o quê e quando. Na fase de implementação do projecto vai corresponder aos objectivo definidos anteriormente.

Uma ampla agenda para o design deve então começar, considerando uma série de questões importantes. Que papel pode desempenhar um designer num processo colaborativo de intervenção social? O que é que está a ser feito nesse sentido e o que poderá vir a ser feito? Como é que a percepção pública da actividade do designer pode mudar no sentido de apresentar uma imagem de um designer socialmente responsável? Uma abordagem multidisciplinar pode ser usada para explorar estes e outros problemas. Questionários de pesquisa, entrevistas com profissionais, análise de conteúdo em revistas, jornais, internet, com blogs, sites,etc. Outro método de pesquisa é a observação participativa. E dizer que a combinação de todos estes métodos de pesquisa é que dará mais frutos no futuro é a mais correcta de se conseguir avançar nesta perspectiva. A amplitude do espectro de pesquisa para o design social inclui a percepção do público, das agências sobre os designers, a economia de intervenções sociais, o valor do design na busca para melhorar a vida das pessoas, a economia de produção de produtos e serviços socialmente responsáveis e a maneira como o público os recebe.

Um modelo social na prática do design é agora mais necessário do que nunca, e espera-se dos designers preocupados, pesquisadores, profissionais e educadores do design que consigam encontrar maneira de tornar este modelo possível, e mudar assim a percepção do público em relação à profissão do design.
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William McDonough sobre Cradle to Cradle Design, uma perspectiva interessante sobre o design como modelo social

_link Design Social por Pedro Carvalho

Quando se pensa em design de produto, pensamos em produtos para o mercado produzidos por um fabricante e dirigidos a um consumidor. Assim, desde a Revolução Industrial que a prática usual do design é a de desenhar para o mercado. Em 1972, Victor Papanek, designer industrial, publicou o seu livro “Design for the Real World”[1] no qual nos apresenta com a declaração “existem profissões mais prejudiciais que desenho industrial mas bem poucas”. Desde a publicação do livro que vários designers têm procurado desenvolver programas de design para necessidades sociais estendendo-se desde as necessidades de países em desenvolvimento até necessidades especiais de idosos, pobres e portadores de deficiências.

Estes esforços evidenciam que é possível uma alternativa para o design de produtos. Comparando este com o modelo de mercado tem-se pouco conhecimento ou teoria  sobre um modelo de design para de prática social. Enquanto que a teoria sobre o design para o mercado é bastante desenvolvida, com os estudos de marketing, método do design, e uma vasta e rica literatura sobre o assunto que permite que se adapte às novas tecnologia, novos media e panoramas políticos e sociais.

Isto não acontece no que diz respeito ao design social. Algumas das estratégias nesta área têm sido emprestadas do movimento tecnológico intermediário, que promovem soluções tecnológicas de baixo custo para os países em desenvolvimento mas pouco tem sido feito numa perspectiva mais global e um entendimento mais amplo do design social, que lhe permita ser mantido e implementado.

Também não tem havido preocupação com a educação dos novos designers que lhes forneceria as ferramentas para uma mudança de paradigma do design.

O objectivo primário do design para o mercado é criar produtos para venda. O objectivo primordial do design social é a satisfação das necessidades humanas. Mas para se alcançar um design “óptimo” não podemos ver estas duas perspectivas como opostas mas antes dois pólos duma constante.

Há vários domínios que tem de trabalhar em sintonia para que se possa desenvolver este “modelo social”. Estes domínios são aqueles que têm um impacto sobre a actividade ou funcionamento humano, como o biológico, psicológico, cultural, social, natural e físico/espacial.

Podemos tentar estabelecer uma analogia entre o trabalho desenvolvido por um designer com este modelo social com o trabalho de um assistente social. Assim, numa primeira fase o designer inteira-se do problema do “cliente”. Na próxima fase, avaliação, examina-se a interacção do cliente com o que o rodeia, o ambiente para se perceber a raíz do problema. O resultado desta fase é uma lista de necessidades a serem atendidas. Na terceira fase, projecto/planeamento, o designer “trabalha” com o “cliente” para determinar o que é mais urgente, determinar prioridades.

“Conversam” sobre várias ideias e decidem colaborativamente o que funciona e não funciona e quem faz o quê e quando. Na fase de implementação do projecto vai corresponder aos objectivo definidos anteriormente.

Uma ampla agenda para o design deve então começar, considerando uma série de questões importantes. Que papel pode desempenhar um designer num processo colaborativo de intervenção social? O que é que está a ser feito nesse sentido e o que poderá vir a ser feito? Como é que a percepção pública da actividade do designer pode mudar no sentido de apresentar uma imagem de um designer socialmente responsável? Uma abordagem multidisciplinar pode ser usada para explorar estes e outros problemas. Questionários de pesquisa, entrevistas com profissionais, análise de conteúdo em revistas, jornais, internet, com blogs, sites,etc. Outro método de pesquisa é a observação participativa. E dizer que a combinação de todos estes métodos de pesquisa é que dará mais frutos no futuro é a mais correcta de se conseguir avançar nesta perspectiva. A amplitude do espectro de pesquisa para o design social inclui a percepção do público, das agências sobre os designers, a economia de intervenções sociais, o valor do design na busca para melhorar a vida das pessoas, a economia de produção de produtos e serviços socialmente responsáveis e a maneira como o público os recebe.

Um modelo social na prática do design é agora mais necessário do que nunca, e espera-se dos designers preocupados, pesquisadores, profissionais e educadores do design que consigam encontrar maneira de tornar este modelo possível, e mudar assim a percepção do público em relação à profissão do design


[1] PAPANEK, Victor. Design for the real world: Human Ecology and Social Change, THAMES & HUDSON LTD, 1985